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a ilíada

resumo dos cantos (em processo)

Esta seção pretende abarcar um resumo da Ilíada, canto por canto, feito por Vera. Os acréscimos serão semanais ou quinzenais, iniciando em 10/06/2009.

Por enquanto, já temos o canto 1 pronto. 

[**ATENÇÃo, GALERA:

As fotos e ilustrações serão creditadas oportunamente./

a formatação das citações também]

 

 

continua

canto 1

 

A Ilíada tem início com uma invocação às Musas, feita pelo poeta-narrador, para que lhe contem sobre a ira de Aquiles e sua relação com a peste que se abateu sobre os gregos, em decorrência do confronto do herói com o rei Agamenon, chefe do exército grego.

Assim se inicia o poema, na tradução de Odorico Mendes:

 

Canta-me, ó deusa, do Peleio Aquiles

A ira tenaz, que lutuosa aos Gregos,

Verdes no Orco lançou mil fortes almas,

Corpos de heróis a cães e abutres pasto:

Lei foi de Jove, em rixa ao discordarem

O de homens chefe e o Mirmidon divino.

 

Ao saquear os aliados dos troianos, Agamenon tomou para si, como escrava, Criseida, filha de Crises, sacerdote de Apolo na ilha de Crisa.

Crises se dirige ao rei grego e lhe oferece um valioso tesouro, como resgate pela filha.  Entretanto, Agamenon não só se recusa a devolver Criseida, como expulsa o velho Crises.

O sacerdote, então, invoca Apolo e pede-lhe vingança.

Apolo atende prontamente e durante nove dias os gregos padecem de uma peste virulenta.

Aquiles, inspirado por Hera (Juno), convoca uma assembléia para saber o que estava acontecendo, que desagrado haviam cometido aos deuses.  Para isso, convoca Calcas (Calcante), o adivinho, que, mediante a garantia de Aquiles de que não sofrerá da ira dos poderosos pela revelação que irá proferir, revela a ofensa perpretada por Agamenon.

A revelação do adivinho enche Agamenon de cólera. 

Apesar disso, ele concorda em restituir Criseida, desde que receba alguma compensação.

Aquiles alega que não há como compensá-lo, não há mais espólio de guerra disponível para servir de compensação.  Pede a Agamenon que não seja ávido e aguarde a recompensa dos deuses.

Agamenon revela que quer Briseida, a cativa que coube a Aquiles, e que vai tomá-la dele, nem que seja à força.

Aquiles se enfurece e insulta Agamenon.  Anuncia que retirar-se-á da guerra, se tiver que entregar a cativa.  Mas Agamenon pouco importa.  Ao contrário, mantém-se firme e confirma a ameaça que toma-la-á nem que seja à força e, caso isso aconteça, Aquiles se arrependerá.

A ira de Aquiles só aumenta. Já prepara a espada para atacar Agamenon, quando Palas (Palas Atena), enviada por Hera (Juno), puxa seus cabelos por trás e aparece só para ele, com missão de faze-lo se conter, pois será fartamente recompensado no futuro:

E a déia olhicerúlea:  “Vim, de acordo

com Juno albinitente, amiga de ambos,

comedir-te e amansar-te.  Anda, em palavras

Tu desabafa, a lâmina embainha.

Por esta injúria, to predigo certo,

Inda haverás em triplo insignes prêmios.

Sê-nos pois dócil, a paixão modera.”

 (vs 181-187)

 

Aquiles é obediente à deusa e, sob seu consentimento, continua a vociferar contra Agamenon.

Nestor Plínio intervém, tentando apaziguar e reconciliar os dois, pelo bem dos gregos.  Entretanto, Agamenon se mantém firme na escolha de sua compensação, assim como Aquiles na decisão de se retirar da guerra.

“Finda a rixa, o congresso Aqueu se dissolveu”.

Aquiles segue para seu barco, Agamenon convoca a escolta de vinte homens que levará Criseida de volta à Crisa e esta inclui Ulisses e a hecatombe:  eles ofertam cem cabras e touros a Febo (Apolo).

Ao mesmo tempo, Agamenon envia dois arautos, Taltíbio e Euríbate, ao reduto de Aquiles para capturar Briseida.  Chegam furtivamente, mas Aquiles os surpreende.  Continua a conter a fúria, e manda Patrocolo entregar a moça aos enviados.

Sozinho, à beira mar, borbulhando de raiva, Aquiles invoca Tétis, sua mãe.

“Só, carpindo-se, Aquiles na espumante

Beira ficou-se; o ponto azul esguarda,

As palmas tende e à boa mãe recorre:”

(v. 301-304)

 

Filha do velho do Mar, Tétis imediatamente surge e escuta a queixa do filho (v. 304-345), que lhe pede que interceda junto a Zeus, para  que este faça vencer os troianos, como maneira de mostrar aos gregos quanta falta faz Aquiles.

Tétis chora pelo filho, pois sabe que ele terá vida curta, mas se dispõe a atende-lo, tão logo os deuses voltem ao Olimpo, pois se encontram nas festividades dos etíopes, que moram no oceano, e que durarão doze dias.

E dito isso, sumiu.

Enquanto isso, Ulisses e sua frota se aproximam de Crisa.  Desembarcam e Ulisses se apresenta ao velho sacerdote, entregando-lhe a filha.  Pai e filha se abraçam.  Crises invoca Apolo, que rapidamente atende seu pedido de suspender a calamidade que se abate sobre os gregos.  E à hecatombe todos se dirigem . [o poeta fornece detalhes deste grande e farto “churrasco coletivo”.]  Todos comem e bebem com fartura, incluindo Ulisses e sua frota.

Quando amanhece, os gregos partem.

No acampamento grego, Aquiles continua afastado das tropas de Agamenon.

No décimo - segundo dia, cumprindo sua promessa, Tétis se dirige “à casa etérea” e encontra Zeus, um pouco afastado dos demais deuses, antes de se dirigir a um banquete, e envolve-lhe os joelhos.  Narra-lhe então o ocorrido a seu filho Aquiles e lhe pede intercessão, alegando que nunca lhe havia molestado com pedidos.

Zeus não responde de imediato, mas sob a insistência de Tétis, explica que seu pedido irá coloca-lo em maus lençóis com Hera (Juno), sua esposa, pois esta é partidária fervorosa dos gregos e o acusa de ter simpatias pelos troianos.  Apesar disso, promete a Tétis que vai atendê-la, mas apressa-a que se vá, antes que Hera os veja juntos.

Zeus se dirige ao palácio celeste e todos os deuses o reverenciam, em sua chegada.

Logo que se senta ao trono, Hera o importuna.  Havia avistado Tétis em conversa com ele e quer saber sobre o que conversaram.  Ele a adverte que não deve se meter em assuntos seus ou se arrependerá:

E o rei supremo:  “Em penetrar não cuides

Arcanos meus;  esposa embora sejas,

Penosso te serão.  Nem deus nem homem

Quanto ouvir devas me ouvirá primeiro:

Mas o que a parte no ânimo concebo,

Não mo perguntes, nem mo inquiras, Juno.”

(v.469-474)

 

Mas ela não se contém e arrisca a suspeita de que ele e Tétis fizeram acordo em favor dos troianos. 

Zeus se enfurece, vocifera e ela retorna cabisbaixa.

Constrangidos, os demais deuses não conseguem continuar o banquete, até que Hefesto (Vulcano) assume o papel de conciliador entre os pais.  Argumenta que os mortais não merecem que eles estraguem o banquete.

E depois de alguns gracejos de Hefesto, os deuses voltam a sorrir e o banquete a se animar. 

Apolo toca a lira e as Musas cantam.

Até que a alvorada se inicia no Olimpo e todos se recolhem:  Zeus e Hera adormecem juntos no leito divino.

 

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