GRÉCIA CLÁSSICA

História

Da tirania à democracia

As Guerras Persas e a Revolta Jônia

A idade de ouro de Atenas

As Guerras do Peloponeso

A ascensão da Macedônia

Cultura

Literatura

Poesia:

Teatro:

Tragédia:

Comédia:

Filosofia

Educação

Arte

Escultura

Referências

Grécia Antiga: 
O Período Clássico

de 510 aC (queda do último tirano, Hípias)
a 323 aC(morte de Alexandre) aC

por Ilson Bacellar

Seminário de Contextualização Histórica, 15.12.2008

História

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O período clássico, no contexto das artes, arquitetura e cultura da Grécia Antiga, corresponde à maior parte do século V  e IV  a. C., tendo como marcos mais comuns a queda do último tirano ateniense em –510 e a morte de Alexandre em –323. É um período estudado principalmente a partir da ótica ateniense, principalmente o século V, uma vez que Atenas nos legou maior número de peças, narrativas e outros trabalhos escritos do que outros estados gregos. Assim, pode-se eleger como primeiro evento significativo deste século a queda da tirania ateniense e as reformas de Clístenes. Entretanto, uma visão mais ampla de todo o mundo grego pode situar seu início em –500 com a revolta Jônia, evento que provocou a invasão Persa de –492. Vejamos abaixo como se desenrolou a história desse período.

da tirania à democracia

Em Atenas, antes da tirania, a forma de governo era a aristocracia. Na verdade, por todo o período clássico e posterior, na maioria das comunidades gregas (exceto em Esparta onde a forma de governo era peculiar, e em Atenas) a forma característica de governo era a oligarquia baseada na riqueza e no nascimento. Em Atenas, entretanto, ao longo do século IV surgiam homens que se ressentiam de serem excluídos do poder e exploravam o descontentamento e o poderio militar dos cidadãos para conquistar poder pessoal. Eram os túrannos (tiranos), palavra de origem não-grega que não tinha necessariamente a conotação de crueldade ou opressão. As relações entre as classes eram difíceis, os camponeses viam-se esmagados pelas dívidas, a escravização era uma conseqüência possível, alguns proprietários ressentiam-se do pagamento de um sexto de sua produção aos senhores. Em contrapartida, alguns tiranos tinham sido preparados para impor a redistribuição das terras e o cancelamento das dívidas, o que fazia deles uma opção atraente. Nesse contexto, surge, em –594/93, Sólon, que buscou mediar as relações entre as oligarquias (eupátridas) e o povo, mas, por não satisfazer nenhuma das classes, fracassou. Então, nobres começaram a lutar pelo direito à liderança da comunidade ateniense, e Pisístrato, herói militar, ganha apoio e toma o poder em Atenas como tirano em –561/60. Foi derrubado duas vezes e  voltou ao poder em ambas, consolidando a tirania em Atenas até sua morte. Fez Atenas florescer com grandiosos projetos de edificações, a bela cerâmica de figuras negras das oficinas atenienses, os poetas, etc., o que fortalecia a crescente autoconfiança dos atenienses.

Transmitiu o poder ao seu filho, Hípias, irmão de Hiparco. O tirano Hípias encontrou uma crescente oposição da aristocracia, sendo seu irmão assassinado por dois amantes aristocratas, Harmódio e Aristogíton. Hípias sobreviveu e sua tirania tornou-se ainda mais severa. Em –510, aristocratas atenienses solicitaram ajuda das tropas espartanas para derrubar Hípias. Cleômenes I, rei de Esparta, ativou uma oligarquia comandada por Iságoras, possivelmente esperando que Atenas correspondesse regressando a uma forma aristocrática de governo que, naturalmente, continuaria a demonstrar boa vontade com Esparta por causa de sua ação contra o tirano. Entretanto, Clístenes, rival de Iságoras, com o apoio da classe média e ajudado pelos democratas, conseguiu assumir o controle. Cleômenes interveio em –508 e –506, mas não pôde parar Clístenes, agora apoiado pelos atenienses. Por meio de suas reformas, as pessoas criaram instituições isonômicas (em que todos têm os mesmos direitos) e estabeleceram o ostracismo (expulsão política e exilo por um período de 10 anos).

As Guerras Persas (aka Guerras Médicas/Medas/Greco-Persas/Greco-Pérsicas) e a Revolta Jônia

Enquanto os atenienses fortaleciam sua estrutura democrática, os persas, que já eram senhores de grandes domínios no Oriente, avançaram em direção ao oeste. Sob o comando do imperador Dario I, chegaram à Ásia Menor, onde atacaram Mileto, Éfeso e as ilhas de Samos e Lesbos. Após algum tempo de submissão, essas regiões rebelaram-se, e Atenas enviou navios e tropas em seu auxílio. Entretanto, esses esforços foram insuficientes, permitindo que os persas destruíssem Mileto e iniciassem seu avanço sobre a Grécia.

A primeira expedição enviada por Dario I foi desbaratada em Maratona (-490), numa batalha em que os gregos, apesar da inferioridade numérica, acabaram vitoriosos. Nos anos seguintes, Atenas reforçou sua marinha e as cidades gregas puderam se preparar para enfrentar os novos ataques persas. Entretanto, quando Xerxes, sucessor de Dario, deu início à segunda investida contra o território grego, esteve muito próximo de estender seu domínio sobre toda a Grécia. Após derrotar um exército espartano comandado por Leônidas, no desfiladeiro das Termópilas, chegou a invadir e incendiar Atenas. Todavia, os persas acabaram por ver malograr seus intentos com a derrota na batalha naval de Salamina. Sem suprimentos ou reforços, o exército de Xerxes recuou para a Ásia Menor e foi derrotado na batalha de Platéias (-479) por forças atenienses e espartanas, sob o comando de Pausânias e Aristides. A luta contra os persas, porém, não estava encerrada.

Em meio à guerra, forjou-se a união militar das polis gregas, denominada Confederação (ou Liga) de Delos. Cada cidade-estado deveria contribuir com navios ou dinheiro, a serem depositados na ilha de Delos. Quase todos os Estados gregos do mar Egeu aliaram-se, comandados por Atenas, que tomou definitivamente a ofensiva contra os persas, libertando algumas províncias da Ásia Menor e vencendo a decisiva batalha do rio Eurimedon, em –468.

Finalmente, em –449, foi assinada a Paz de Calias ou Paz de Címon, pela qual os persas comprometiam-se a abandonar o mar Egeu. O Mediterrâneo oriental ficava, assim, aberto à frota ateniense, que, sem rivais, pôde expandir o comércio e o poderio de maior prosperidade. Paralelamente a isso, as cidades gregas estavam militarmente fortalecidas.

A idade de ouro de Atenas

O período compreendido entre os anos  -461 e –429 é considerado a “idade de ouro” de Atenas quando a cidade viveu o seu auge econômico, militar, político e cultural. Nesse período, Atenas foi governada por Péricles, e nesses trinta anos tornou-se a cidade mais importante da Grécia, graças às reformas implantadas tanto no nível político, aperfeiçoando a democracia, quanto no nível cultural, produzindo-se obras primas, até hoje modelos de beleza.

Embora aristocrata de nascença, Péricles deu maior amplitude à democracia ateniense, permitindo o ingresso e a participação política de parcelas da população antes excluídas. Atenienses de baixa renda, envolvidos no trabalho constante para garantir a sobrevivência, não podiam dedicar-se à participação política. Entre as reformas políticas estão a instituição dos misthoy, soldo para os integrantes do exército, assim como uma pequena remuneração para as funções e cargos públicos, o que possibilitou maior participação popular. Péricles retirou também diversas restrições à cidadania, embora os cidadãos ainda constituíssem uma minoria.

Nessa época, Atenas possuía quarenta mil cidadãos que, somados às suas famílias, completavam um total de 150 mil indivíduos. Os metecos (estrangeiros, filhos de não-nascidos em Atenas) chegavam a cinqüenta mil e os escravos perto de 120 mil. Assim, de uma população estimada de 320 mil pessoas, apenas quarenta mil participavam da democracia ateniense.

Péricles empenhou-se também na reconstrução e embelezamento de Atenas. Assim, entre as grandes construções realizadas, destacaram-se o Parthenon – templo à deusa Atena –, o Erectéion e novas muralhas defensivas em torno da cidade que crescia.

As Guerras do Peloponeso

Com o passar do tempo, o predomínio de Atenas na Liga de Delos transformou-se em imperialismo: havia interferência ateniense política e sociedade dos demais aliados. Após pressões, o tesouro de Delos foi transferido para Atenas; quando alguns Estados-membros quiseram se retirar, Atenas obrigou-os a permanecer por meio da força, transformando-os de aliados que eram em Estados que lhe pagavam tributos. Se Péricles era democrata em Atenas, em relação aos outros Estados era imperialista. Em troca dessas imposições, oferecia-lhes proteção contra invasões marítimas e vantagens comerciais.

Assim, o desenvolvimento e a manutenção da democracia ateniense dependia desse imperialismo, do intenso comércio, dos tributos cobrados das outras polis, além da prata extraída das minas do Láurio. Era com recursos vindos da dominação interna, com a escravidão, e dessa dominação externa, como imperialismo, que os atenienses ostentavam o status de cidadãos e garantiam o esplendor econômico e cultural do século de ouro.

As demais cidades-estados que haviam permanecido aristocráticas, representadas especialmente por Esparta, opunham-se ao expansionismo ateniense, considerando-o um perigo econômico e político. Assim, organizaram, sob liderança espartana, a sua própria liga – a Liga do Peloponeso.

Diante desse quadro, qualquer incidente colocaria frente a frente os dois blocos rivais. Em -431, as duas cidades rivais entraram em conflito frontal devido a uma disputa comercial entre Atenas e Corinto, velha aliada de Esparta. Esta tinha grande poderio terrestre enquanto Atenas dominava os mares. Esparta obteve vantagem logo no início, arrasando os campos da Ática e obrigando seus habitantes a se refugiarem dentro das muralhas atenienses. A superpopulação ajudou a propagar uma epidemia que atingiu, inclusive, Péricles. A partir daí, foi uma guerra de desgaste: durante dez anos, os conflitos se estenderam sem que houvesse vitórias ou derrotas decisivas. Em -421 foi assinada a Paz de Nícias, rompida por Atenas 7 anos depois, reiniciando as lutas que só se encerram com a vitória espartana na batalha de Egos Potamos (-404). Atenas foi obrigada a entregar seus navios, demolir suas fortificações e renunciar ao império.

Iniciou-se o período de hegemonia espartana, com a ascensão dos governos oligárquicos e o fim da democracia ateniense. O sistema democrático até então vigente em Atenas foi substituído por 30 atenienses aristocráticos (governo dos Trinta Tiranos), ocorrendo o mesmo em outras cidades de sistema democrático. O imperialismo e a democracia atenienses, desta forma, sucumbiram juntos, cabendo à Guerra do Peloponeso o papel de desfecho. Mas o domínio espartano que se iniciou durou pouco tempo. Seus aliados logo se viraram contra ela devido a sua política imperialista e logo os inimigos de Atenas de antes, Tebas e Corinto, tornaram-se seus aliados. Argos, Tebas e Corinto e Atenas formaram a Segunda Liga Ateniense e lutaram contra Esparta na Guerra de Corinto, que não foi decisiva. Tebas, localizada no estreito de Corinto, projetava-se crescentemente como grande potência militar da Grécia, quando se iniciou a hegemonia espartana. Graças à tática militar de dois excelentes generais, Epaminondas e Pelópidas, os tebanos venceram a batalha da Leutras (-375) e iniciaram sua supremacia, que foi também de curta duração.

Na prática, essas guerras constantes enfraqueceram os gregos e, a partir de meados do século IV a. C., nenhuma das cidades tinha condições para se sobrepor às outras. Enquanto isso ocorria, a Macedônia – ao norte da Grécia – expandia-se e fortalecia-se, tornando inevitável seu avanço sobre a Grécia.

A ascensão da Macedônia

A Macedônia é uma região isolada do mar, situada a nordeste da Grécia continental, cujos habitantes, também descendentes dos povos indo-europeus e falantes de uma língua derivada do grego, eram chamados por eles – os gregos – de bárbaros.

Enquanto as cidades gregas entravam em decadência, provocada pelas contínuas guerras entre si, os macedônios, até então isolados, fortaleciam-se e iniciavam conquistas aos territórios gregos vizinhos. Sob o reinado de Filipe II(-359 a -336), venceram a batalha de Queronéia em –338, e foram dominando a Grécia, iniciando sua hegemonia.

Após o assassinato de Filipe, sucede-o Alexandre, que, tendo sido educado pelo sábio grego Aristóteles, assimilou os valores da cultura grega. É impossível escrever uma biografia de Alexandre; seu caráter verdadeiro desapareceu inteiramente sob uma massa de mito e culto prestado a heróis. O historiador só pode concentrar-se em suas campanhas.

Após sufocar revoltas internas e consolidar seu domínio sobre a região balcânica, atravessou o Helesponto em -334 e iniciou seu avanço sobre o Oriente.

Na batalha de Granico, venceu os persas e conquistou a Ásia Menor. Estendeu seu domínio, em seguida, sobre o Oriente Próximo, chegando até o Egito, onde fundou a primeira das várias cidades com o nome de Alexandria. Continuando a avançar sobre o Império Persa, chegou com suas tropas até as margens do rio Indo, na Índia.

Voltando de suas campanhas militares, iniciou a reorganização de seu exército e escolheu a Babilônia como sede de seu império. Entretanto, morreu precocemente, aos 33 anos de idade (-323), e seus sucessores não conseguiram manter a unidade do enorme império.

 

Cultura

Literatura

Poesia:

A tradição literária ocidental tem como primeiras obras literárias registradas os poemas épicos de Homero e Hesíodo. Entretanto, o gênero lírico se define como hoje a literatura ocidental o conhece com poetas como poetas como Safo e Píndaro. Em Alexandria, durante o período helenístico, 9 eram os poetas líricos (ou poetas mélicos) gregos canônicos estimados pelos acadêmicos da época, que os consideravam dignos de estudo crítico. São eles:

[fig 1:  Safo e Alceu competindo;  Imagem de um vaso da época.→]

  • Álcman de Esparta
  • Safo
  • Alceu de Mitilene
  • Anacreonte
  • Estesícoro
  • Íbico
  • Simónides de Ceos
  • Píndaro
  • Baquílides

Teatro:

Tragédia:

A Grécia Clássica é considerada o momento de nascimento da verdadeira tragédia.    

Tragédia (do grego antigo τραγδία, composto de τράγος "bode" e δή "canto") é uma forma de drama, que se caracteriza por sua seriedade e dignidade, freqüentemente envolvendo um conflito entre um personagem e algum poder de instância maior, como a lei, os deuses, o destino ou a sociedade.

Suas origens são obscuras, mas é certamente derivada da rica poética e tradição religiosa da Grécia Antiga. Suas raízes podem ser rastreadas mais especificamente nos ditirambos, os cantos e danças em honra ao deus grego Dionísio (conhecido entre os romanos como Baco). Dizia-se que estas apresentações etilizadas e extáticas foram criadas pelos sátiros, seres meio bodes que cercavam Dionísio em suas orgias, e as palavras gregas τράγος, tragos, (bode) e δή, odé, (canto) foram combinadas na palavra tragoidia (algo como "canções dos bodes"), da qual a palavra tragédia é derivada.

 

Ésquilo (-525/-524 a -456/-455): Nascido em Elêusis (a 30km ao noroeste de Atenas), é o primeiro dos Três Grandes Trágicos Gregos cujas peças sobreviveram, sendo os demais Sófocles e Eurípides. É considerado o inventor do drama, por ter introduzido o diálogo e a interação entre os personagens (que antes interagiam somente com o coro), aumentando seu número de 1 para 2 para permitir conflito entre eles. De suas estimadas 92 peças, somente 7 restaram. Ésquilo foi influenciado pela invasão persa sofrida pela Grécia, chegando a participar da vitória grega em Maratona. Era um iniciado nos Mistérios de Elêusis, tendo sido julgado e absolvido de tê-los revelado. Assistiu à consolidação da democracia ateniense, viajando posteriormente para Siracusa a convite do tirano Hiéron, onde teria conhecido os místicos pitagóricos. Segundo a tradição, a sua morte deu-se quando uma águia, confundindo a sua cabeça calva com uma pedra, deixou cair uma tartaruga, com objetivo de partir a carapaça, matando Ésquilo.

OBRAS:

  • Os Persas (-472)
  • Sete Contra Tebas (-467)
  • As Suplicantes (-463)
  • Prometeu Acorrentado (-462 a -459) *autoria contestada
  • Trilogia Orestéia (ou Oréstia):
  • Agamêmnon (-458)
  • Coéforas (-458)
  • Eumênides (-458)

 

Sófocles (c. -496 a -406): Nascido em Colono (a 1km ao noroeste de Atenas, perto da Academia de Platão, onde Édipo teria sido enterrado) na época do governo de Péricles, apogeu da cultura helênica; era filho de um rico mercador/fabricante de armaduras. É o segundo dos Três Trágicos Gregos. Escreveu 120 ou mais peças, das quais só restam 7 completas, e também trabalhou como ator. Morreu aos 90 anos, tendo visto o triunfo grego nas Guerras Persas e o massacre da Guerra do Peloponeso. Era muito respeitado pelos atenienses. Suas peças retratam personagens nobres e da realeza, mostrando dois tipos de sofrimento: o decorrente de um excesso de paixão e o decorrente do destino. Reduziu a importância do coro no teatro grego relegando-o ao papel de observador do drama que se desenrola à sua frente. Também aperfeiçoou a cenografia e aumentou o número de elementos do coro de 12 para 15.

OBRAS:

  • Ájax
  • Antígona
  • As Traquínias
  • Édipo Rei
  • Electra
  • Filoctetes
  • Édipo em Colono

 

Eurípides (c. -480 a -406): Segundo a lenda, nasceu no dia da maior batalha naval das Guerras Persas. Há evidências de que sua família era rica e influente. Viveu a maior parte da vida em Atenas. É o último dos Três Grandes Trágicos e, para Aristóteles, “o mais trágico dos poetas”, sendo autor do maior número de peças gregas que chegaram até nós: 18, no total. Estima-se que tenha escrito 95 peças, embora 4 delas provavelmente tenham sido escritas por Critias. Hoje, aceita-se que Rhesus, tida como a décima nona peça completa, provavelmente não seja de sua autoria. Fragmentos da maioria das outras peças também sobreviveram. Pouco se sabe de sua vida, mas parece ter sido austero e pouco sociável. Chamado por alguns críticos de “filósofo do teatro”, estava exposto a pensadores como Protágoras, Sócrates e Anaxágoras, sendo particularmente influenciado por este último e também pelo movimento sofístico. Em suas tragédias, opta por contar a história dos vencidos, apresentado os mitos já conhecidos (que via como conjuntos de histórias cuja função era perpetuar crenças sobre concepções primitivas) sempre sob aspectos novos e instigantes, diferenciando-se de seus predecessores e rompendo com características importantes para os gregos. Foi alvo de Aristófanes.

OBRAS:

  • Alceste (438 BC, second prize)
  • Medéia (431 BC, third prize)
  • Os Heráclidas (c. 430 BC)
  • Hipólito (428 BC, first prize)
  • Andrômaca (c. 425 BC)
  • Hécuba (c. 424 BC)
  • As Suplicantes (c. 423 BC)
  • Electra (c. 420 BC)
  • Héracles (c. 416 BC)
  • As Troianas (415 BC, second prize)
  • Ifigênia em Táuris (c. 414 BC)
  • Íon (c. 414 BC)
  • Helena (412 BC)
  • As Fenícias (c. 410 BC)
  • Orestes (408 BC)
  • As bacantes
  • Ifigênia em Áulis (405 BC, posthumous, first prize)
  • O Ciclope (drama satírico)

 

[figura:  Atores caracterizados, com máscaras. Cena de vaso.]

Comédia:

Não se sabe ainda qual a origem exata desse gênero cômico, mas foi sem dúvida em Atenas que as condições políticas, econômicas e sociais favoreceram seu pleno desenvolvimento. As representações cômicas em Atenas começaram oficialmente nas Dionísias Urbanas de -486, porém cenas pintadas em vasos mostram que elas já existiam bem antes disso. O mais antigo formato cômico de que temos notícia segura é o da "Comédia Antiga" e a mais antiga comédia que chegou até nós, da autoria de Aristófanes, data de -425. Conhecemos a Comédia Antiga, desse modo, somente através de seus momentos finais, o período que corresponde aproximadamente à Guerra do Peloponeso (-431/-404). A Comédia Antiga se caracterizou pela sátira direta aos políticos do momento, aos cidadãos proeminentes e às insituições da cidade. Eram notáveis, ainda, os temas fantásticos e a caracterização extravagante do coro. Havia também uma parte característica da representação, a parábase, situada mais ou menos no meio da peça, quando o coro suspendia parcialmente a ilusão dramática e se dirigia diretamente ao público. Para nós, mais de 2.400 anos depois, a Comédia Antiga é sinônimo de Aristófanes, o único poeta de quem temos comédias completas. Suas duas últimas comédias, representadas entre -400 e -388, mostram já o esgotamento do gênero: o coro desapareceu e há apenas vestígios da parábase. Essa fase, conhecida entre os eruditos por "Comédia Intermediária", prenuncia o novo estilo cômico da "Comédia Nova" helenística.

Aristófanes (c. -446 a  c. -386): Nascido em Atenas, foi prolífico e muito aclamado, definiu e deu forma à idéia de comédia como uma forma teatral. 11 de suas 40 peças chegaram até nós praticamente completas. Estas, juntamente com fragmentos de suas outras peças, são o único exemplo real de que dispomos o gênero conhecido como Comédia Antiga e são, na verdade, usados para definir o gênero. Também conhecido como o Pai da Comédia ou o Príncipe da Comédia Antiga, Aristófanes é tido como o autor que recriou a realidade ateniense mais convincentemente do que qualquer outro. Sua capacidade de ridicularizar era temida e reconhecida por influentes contemporâneos. Viveu toda a sua juventude sob o esplendor do Século de Péricles e foi testemunha também o início do fim daquela grande Atenas. Viu o início da Guerra do Peloponeso, que arruinou a hélade. Da mesma forma, viu de perto o papel nocivo dos demagogos na destruição econômica, militar e cultural de sua cidade-estado. À sua volta, à volta da acrópole de Atenas, florescia a sofística - a arte da persuasão-, que subvertia os conceitos religiosos, políticos, sociais e culturais da sua civilização. Conservador, revela hostilidade às inovações sociais e políticas e aos deuses e homens responsáveis por elas. Seus heróis defendem o passado de Atenas, os valores democráticos tradicionais, as virtudes cívicas e a solidariedade social. Violentamente satírico, critica a pomposidade, a impostura, os desmandos e a corrupção na sociedade em que viveu. Seu alvo são as personalidades influentes: políticos, poetas, filósofos e cientistas, velhos ou jovens, ricos ou pobres.

OBRAS:

  • Os acarnenses (-425)
  • Os cavaleiros (-424)
  • As nuvens (-423)
  • As vespas (-422)
  • A paz (-421)
  • As aves (-414)
  • Lisístrata (-411)
  • As tesmoforiantes (-411)
  • As rãs (-405)
  • As mulheres na Assembléia (-392)
  • Pluto (-388)
 

Filosofia

No início do século V, coincidindo com a democracia ateniense e com o pensamento de Heráclito, surgiu a Escola Sofista, que negava a existência de uma verdade absoluta e buscava conhecimentos úteis para a vida, enfatizando a retórica e o uso da palavra. Entre os sofistas, destacou-se Protágoras, o autor da frase “O homem é a medida de todas as coisas”.

Durante todo o século V a.C., a filosofia ocupou-se com o homem, especialmente com a ética. Surgiu, então, a Escola Socrática,  contrária aos sofistas. Sócrates defendia que a reflexão e a virtude eram fundamentais à vida. Por criticar o Estado ateniense durante as Guerras do Peloponeso, foi condenado à morte, tendo sido executado com cicuta (-399). A Escola Socrática continuou com Platão, defensor da virtude, cultivada com ideais de bondade, beleza e justiça, sendo fundada a Academia de Atenas.  Outro expoente da Escola Socrática, Aristóteles, conhecido como o “pai da lógica”, concentrou-se, ao contrário de Platão, no estudo das mutações do mundo material: nascimento, transformação e destruição. Para ele, o real existia independente das idéias, e para conhecê-lo era necessário desenvolver a lógica.

            Foi Atenas, voltada para o comércio, indústria, marinha, letras e artes, o principal eixo de desenvolvimento ou de ressonância da filosofia grega, contando com o forte espírito especulativo de suas elites culturais e a abertura da cidade às influências externas. O inexpressivo desenvolvimento de Esparta, ao contrário, deveu-se ao completo monitoramento cultural realizado pelo Estado, buscando a formação de cidadãos fisicamente capacitados e fiéis na manutenção da ordem vigente. A elite espartana, através do laconismo e da xenofobia, dificultou ao máximo a penetração de idéias “perigosas” ou “nocivas” à estrutura espartana.

Educação

Paidéia, segundo Werner Jaeger, era o "processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana" na Grécia antiga. Inicialmente, a palavra paidéia (de paidos - criança) significava simplesmente "criação de meninos". Mas, como veremos, este significado inicial da palavra está muito longe do elevado sentido que mais tarde adquiriu.

O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paidéia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paidéia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade.

Um pedagogo - um escravo, na época - conduzia o jovem, com sua lanterna ilumina(dor)a, até aos centros ou assembléias, onde ocorriam as discussões que envolviam pensamentos críticos, criativos, resgates de cultura, valorização da experiência dos anciãos etc.

Supõe-se que, no processo sócio-histórico, esse mesmo pedagogo libertou-se, talvez de tanto dialogar nos acompanhamentos do jovem até as assembléias, tornando-se um personagem da paidéia, e seu consuma(dor).

Mas, se até então o objetivo fundamental da educação era a formação aristocrática do homem individual como Kalos agathos ("Belo e Bom"), a partir do século V a. C., exige-se algo mais da educação. Para além de formar o homem, a educação deve ainda formar o cidadão. A antiga educação, baseada na ginástica, na música e na gramática deixa de ser suficiente.

É então que o ideal educativo grego aparece como paidéia, formação geral que tem por tarefa construir o homem como homem e como cidadão. Platão define paidéia da seguinte forma "(...) a essência de toda a verdadeira educação ou paidéia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento" (cit. in Jaeger, 1995: 147)

Do significado original da palavra paidéia como criação de meninos, o conceito alarga-se para, no século IV a.C., adquirir a forma cristalizada e definitiva com que foi consagrado como ideal educativo da Grécia clássica.

Como diz Jaeger (1995), os gregos deram o nome de paidéia a "todas as formas e criações espirituais e ao tesouro completo da sua tradição, tal como nós o designamos por Bildung ou pela palavra latina, cultura." Daí que, para traduzir o termo paidéia "não se possa evitar o emprego de expressões modernas como civilização, tradição, literatura, ou educação; nenhuma delas coincidindo, porém, com o que os gregos entendiam por paidéia. Cada um daqueles termos se limita a exprimir um aspecto daquele conceito global. Para abranger o campo total do conceito grego, teríamos de empregá-los todos de uma só vez." (Jaeger, 1995: 1).

Na sua abrangência, o conceito de paideia não designa unicamente a técnica própria para, desde cedo, preparar a criança para a vida adulta. A ampliação do conceito fez com que ele passasse também a designar o resultado do processo educativo que se prolonga por toda vida, muito para além dos anos escolares.

A paidéia, vem por isso a significar "cultura entendida no sentido perfectivo que a palavra tem hoje entre nós: o estado de um espírito plenamente desenvolvido, tendo desabrochado todas as suas virtualidades, o do homem tornado verdadeiramente homem".

Arte

            Escultura

No período clássico houve uma revolução na escultura grega, normalmente associada à democracia e ao fim da cultura aristocrática associada aos kouroi. Este período observou mudanças no estilo e na função da escultura. As poses tornaram-se mais naturais e a habilidade técnica dos escultores em retratar a forma humana em várias posições aumentou bastante. A partir de cerca de –500, as estátuas passaram a retratar pessoas reais. As estátuas de Harmódio e Aristogíton feitas em Atenas para marcar a queda da tirania são tidas como os primeiros monumentos públicos  a pessoas reais.

A escultura funerária evoluiu da rigidez e impessoalidade do kouros do período arcaico para os grupos familiares altamente pessoais do período clássico. Esses monumentos, geralmente encontrados nos subúrbios de Atenas, que em tempos antigos eram cemitérios na periferia da cidade, passaram progressivamente a retratar pessoas reais, estando entre os restos mais íntimos e afetivos dos gregos antigos.

No período clássico, pela primeira vez se passou a conhecer os nomes de escultores individuais. Fídias supervisionou o desenho e a construção do Parthenon. Praxiteles tornou o nu feminino mais respeitável pela primeira vez no período clássico tardio (meados do séc. IV).

[figura: Kouros Anavyssos, c. –530. Período arcaico.]

As grandes obras do período clássico, a estátua de Zeus em Olímpia e a estátua de Atena Parthenos (virgem, em grego) estão perdidas, embora cópias menores, em outros materiais, e boas descrições de ambas ainda existam. Seu tamanho e magnitude fizeram com que imperadores as tomassem no período bizantino, e ambas foram removidas para Constantinopla, onde foram posteriormente destruídas com fogo.

[fig. Harmódio e Aristogíton, cópia romana o séc V]

Referências

Wikipedia: Artigos sobre história, cultura e literatura do período clássico, nas línguas inglesa e portuguesa;

Encyclopaedia Britannica 2004 Deluxe Edition CD: Artigos sobre história, cultura e literatura gregas;

Portal Graecia Antiqua: http://greciantiga.org/ ;

VICENTINO, Cláudio. História Geral: volume único: ensino médio. São Paulo, Scipione, 2000.